Usinas fecham parcerias para distribuição de álcool 70

21/03/2020

 

Produção será iniciada nos próximos dias, com autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária





A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) firmou parceria com a Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP) e o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) para distribuição de álcool 70 que será produzido por usinas voluntárias associadas. 

A produção será iniciada nos próximos dias, com autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O presidente da Unica, Evandro Gussi, explicou que as usinas vão oferecer o insumo (álcool), tanto para solução líquida de álcool 70, para limpeza de superfícies em hospitais, centros de saúde, como para transformação em álcool gel.

Gussi informou que a ABTLP, via Sindicom, entra na parceria buscando o álcool a granel nas usinas e levando para centros de distribuição. No Rio Grande do Sul, por exemplo, o produto vai para as universidades federais de Porto Alegre, Santa Maria e Pelotas.

No Espírito Santo, é a indústria química local que vai receber e processar esses produtos. No Rio de Janeiro, os laboratórios da Marinha e do Exército receberão também partes do produto.

 

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Em São Paulo, a Fundação do Remédio Popular (Furpi) e a Natura, entre outras empresas privadas, vão receber esse material, processá-lo e, por meio das secretarias estaduais e municipais de saúde, farão a distribuição.

“Elas vão fazer o processamento e o envazamento, colocando em embalagens menores. Daí as secretarias, com parceiros menores, fazem a distribuição”, explicou o presidente da Unica. Serão atendidos serviços públicos de saúde, como hospitais, unidades básicas de saúde, hospitais filantrópicos.

“Toda a rede do SUS, porque o álcool 70 líquido é um excepcional agente de desinfecção. E nós sabemos que as superfícies, pisos, mesas, maçanetas de portas e tantas outras precisam ser hoje limpas muito mais do que originariamente se fazia. O consumo aumenta exponencialmente”, disse Gussi.

 

Direcionamento

O presidente da Única disse que as usinas estão oferecendo o álcool gratuitamente para a produção de álcool gel. A autorização para fazer o produto foi dada na última quinta-feira, 19, pela Anvisa e nesta sexta-feira, 20 já foram feitos os estudos de onde a produção ocorrerá, em que circunstâncias, além da elaboração dos mapas logísticos, informou Evandro Gussi.

“Nós imaginamos, se Deus quiser, que já na semana que vem esse material estará sendo despachado para as secretarias estaduais”.

Segundo Gussi, as autoridades de saúde dos estados disseram que o produto vai chegar no momento perfeito entre o fim dos estoques que eles ainda têm e a chegada desse estoque novo.

 

Insumo será oferecido gratuitamente por usinas voluntárias

 

O presidente da Unica ressaltou a união necessária que o Brasil deve ter para enfrentar o atual momento que o país atravessa. “São 19 horas de trabalho diário do nosso time aqui. Mas a gente está feliz. Nossas associadas entendem que esse é um dever cívico que nos dá forças para trabalhar pelo Brasil”.

As empresas associadas ao Sindicom doarão o óleo diesel necessário para o transporte, enquanto os membros da ABTLP farão o deslocamento do material em veículos próprios. A operação não terá custos para os cofres públicos.

As demandas por doações devem ser feitas às secretarias de saúde. Ainda segundo a Unica, a produção e a distribuição do álcool gel obedecerão medidas de higiene e etiqueta respiratória dos profissionais envolvidas nessas operações, cumprindo normas do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

Nem todo álcool funciona contra o coronavírus; saiba as diferenças

Ao lado da mistura de água e sabão, o álcool é um grande aliado para conter o novo coronavírus. Em gel ou líquido, ele limpa as mãos quando não é possível lavá-las e desinfeta objetos e superfícies —o vírus da covid-19 sobrevive até três dias no ambiente. Mas é importante saber que nem todo álcool é eficiente, por conta da concentração da substância.

Existem vários tipos de álcool. Os mais comuns são o etanol, que todo mundo compra no supermercado para usar no dia a dia, e o isopropanol, mais conhecido por álcool isopropílico, usado na indústria e em laboratórios, mas que pode ser encontrado em lojas de informática (ele é muito usado na limpeza de placas de computador).

“Para matar ou inativar microorganismos, o etanol é eficiente, mas apenas se usado em concentrações entre 60% e 80%”, explica Laura de Freitas, doutora em biociências e biotecnologia pela Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho).Ou seja: álcool puro demais ou diluído demais não funciona para matar o vírus.

Não funciona: álcool 46% que costumamos usar para a limpeza da casa

Funciona: álcool para churrasco e lareiras tem concentração de 80% (pode irritar a pele)

Funciona: álcool gel higienizador de mãos com concentração de 70%Para saber a concentração do álcool, olhe a embalagem.

A informação geralmente está escrita assim: 46º INPM. A sigla se refere a Instituto Nacional de Pesos e Medidas e o número diz a proporção da mistura entre água e álcool no produto (46% de álcool puro e 54% de água).

 

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Álcool puro evapora muito rápido, não dá tempo de matar ou inativar microorganismos. Uma vez que há água na mistura, ela aumenta o tempo necessário para que o álcool evapore, permitindo que ele aja sobre esses microorganismos

Encontrar álcool líquido com concentração entre 60% e 80% à venda não é uma tarefa muito simples —especialmente durante a pandemia. Não tente mudar a concentração do álcool etanol ou de qualquer outro tipo de álcool sozinho, isso pode deixar a substância ineficiente ou causar danos à saúde.

Neste caso, a recomendação é usar sabão, que é a forma mais eficaz e barata de combater o vírus.

Sabão é muito melhor do que álcool em gel

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Para desinfetar superfícies, você também pode usar produtos de limpeza como:

Água sanitária

Desinfetantes em geral

Limpadores multiuso com cloro ou álcool

Detergente

Sabão

 

Como o álcool acaba com o vírus?

O álcool precisa entrar em contato com os vírus e as bactérias. A partir daí, podem ocorrer dois processos: a dissolução de lipídios (gordura) e a desnaturação proteica, isto é, a exposição de proteínas a meios diferentes dos quais elas foram produzidas, gerando um efeito parecido ao de uma coagulação.

“No caso do novo coronavírus, assim como outros, como o da gripe, há uma capa de gordura chamada envelope, que é dissolvida pelo álcool ou por detergente. Uma vez que isso ocorre, o vírus fica totalmente inativo, não consegue mais infectar ninguém”, explica Freitas.

Já o tempo necessário para que o álcool faça efeito varia de acordo com a sua concentração. “No caso do álcool com concentração próxima aos 70% [a do álcool gel], o vírus leva entre 30 segundos e um minuto para ser inutilizado. No caso da limpeza das mãos, é o tempo suficiente para passar o produto e esperar evaporar”.

 

Moléculas frágeis

A diferença entre etanol e isopropanol está na construção da molécula: o primeiro tem uma molécula composta por dois átomos de carbono, seis de hidrogênio e uma de oxigênio, enquanto o segundo tem três átomos de carbono, oito de hidrogênio e uma de oxigênio.

 

“Em ambos os casos, o álcool não sai puro e tem que ser destilado para chegar na concentração necessária”, explica Luis Geraldo Cardoso dos Santos, professor de Química do Instituto Mauá de Tecnologia.

Uma das principais características do álcool é a rapidez com a qual ela evapora. Não é exclusivo, mas é algo marcante da substância.

“A maioria dos líquidos evapora. Recebendo o calor do ambiente, as interações entre as moléculas são ‘quebradas’ e elas saem do estado líquido. Como as interações dos álcoois são mais fracas que a da água, eles evaporam mais facilmente na temperatura ambiente”, explica Santos.

Se você já derramou álcool na pele, sabe que a evaporação causa uma sensação de frescor. É a evaporação retirando calor da superfície. A mesma coisa acontece quando a água ou o suor evaporam na pele, mas no caso do álcool, como é mais rápido, a variação de temperatura é mais perceptível.

 
 
Conteúdo: EBC
 

 

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