Em pronunciamento, Bolsonaro recua e não critica isolamento social

31/03/2020

 

Presidente fez o quarto pronunciamento em rede de TV sobre a crise do coronavírus.

 

 

 

Na noite desta terça-feira, 31, o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), realizou um pronunciamento em rede nacional sobre o atual estado de calamidade pública para contenção e combate ao novo coronavírus no Brasil. (veja o pronunciamento completo abaixo)

Após toda a repercussão negativa que recebeu desde o seu último pronunciamento, na terça-passada, 24, e toda turbulência enfrentada com ministros, Bolsonaro decidiu por um novo pronunciamento para “esclarecimento” e mostrar as medidas que seu Governo tem aplicado para combater a crise.

No pronunciamento, o presidente fez questão de enfatizar que a pandemia provocada pelo novo coronavírus (covid-19) é o “maior desafio da nossa geração”. Bolsonaro voltou a falar da necessidade de se implementar medidas para a preservação de empregos.

“O efeito colateral das medidas de combate ao coronavírus não pode ser pior do que a própria doença. A minha obrigação como presidente vai para além dos próximos meses. Preparar o Brasil para a sua retomada, reorganizar nossa economia e mobilizar todos os nossos recursos e energia para tornar o Brasil ainda mais forte após a pandemia.”

O presidente disse que as medidas de proteção à população estão sendo implementadas de forma coordenada, racional e responsável. Segundo ele, o Brasil avançou muito nos últimos 15 meses, desde que tomou posse em janeiro de 2019, e sua preocupação sempre foi salvar vidas. “Tanto as que perderemos pela pandemia quanto aquelas que serão atingidas pelo desemprego, violência e fome.”

O presidente também destacou políticas em defesa do emprego e da renda como a ajuda financeira aos estados e municípios (com adiamento de pagamento das dívidas), linhas de crédito para empresas, auxílio mensal de R$ 600 aos trabalhadores informais e vulneráveis e entrada de cerca de 1,2 milhão de famílias no programa Bolsa Família.

“Temos uma missão: salvar vidas, sem deixar para trás os empregos. Por um lado, temos que ter cautela e precaução com todos, principalmente junto aos mais idosos e portadores de doenças preexistentes. Por outro, temos que combater o desemprego, que cresce rapidamente, em especial entre os mais pobres. Vamos cumprir essa missão ao mesmo tempo em que cuidamos da saúde das pessoas.”

 

OMS

Bolsonaro citou a fala do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, que disse ontem, 30, que há muitas muitas pessoas que têm que trabalhar todos os dias e que essa população precisa ser levada em conta pelo governo.

“[O diretor-geral] continua ainda: ‘Se fecharmos ou limitarmos movimentações, o que acontecerá com estas pessoas, que têm que trabalhar todos os dias e que têm que ganhar o pão de cada dia todos os dias?’ Ele prossegue: ‘Então, cada país, baseado em sua situação, deveria responder a esta questão’”, disse o presidente em referência à fala de Tedros Adhanom.

“Não me valho dessas palavras para negar a importância das medidas de prevenção e controle da pandemia, mas para mostrar que da mesma forma precisamos pensar nos mais vulneráveis. Esta tem sido a minha preocupação desde o princípio”, acrescentou o presidente, ao citar trabalhadores informais e autônomos

 

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Nesta terça-feira, pelas redes sociais, o diretor-presidente da organização, sem citar o presidente brasileiro,  se manifestou e afirmou que pessoas sem renda merecem ter a dignidade garantida e convocou os países a desenvolverem políticas que forneçam proteção econômica a essas pessoas.

“Eu cresci pobre e entendo essa realidade. Convoco os países a desenvolverem políticas que forneçam proteção econômica às pessoas que não possam receber ou trabalhar devido à pandemia da covid-19. Solidariedade”, disse em mensagem retuitada pela OMS.

 

Saúde

Bolsonaro afirmou que o governo está adquirindo novos leitos com respiradores, equipamentos de proteção individual (EPI), kits para testes e outros insumos. Também destacou o adiamento, por 60 dias, do reajuste de medicamentos no Brasil.

O presidente voltou a falar que a hidroxicloroquina parece eficaz contra o novo coronavírus, mas que ainda não há vacina ou remédio com eficiência cientificamente comprovada.

“Na última Reunião do G-20 [grupo das vinte principais economias do mundo], nós, os chefes de Estado e de Governo, nos comprometemos a proteger vidas e a preservar empregos. Assim o farei”, disse.

Bolsonaro destacou o emprego das Forças Armadas no combate ao novo coronavírus e a criação de um Centro de Operações para realizar ações de montagem de postos de triagem de pacientes, apoio a campanhas, logística e transporte de medicamentos e equipamentos de saúde.

O presidente destacou que determinou ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, “que não poupasse esforços, apoiando através do SUS todos os estados do Brasil, aumentando a capacidade da rede de saúde e preparando-a para o combate à pandemia”.

Bolsonaro agradeceu ainda os profissionais de saúde e voltou a falar da importância da colaboração de Legislativo, Executivo, Judiciário e sociedade civil para a preservação da vida e dos empregos.

 

Leia abaixo o texto na íntegra:

 

Boa noite.
 
Venho nesse momento importante me dirigir a todos vocês. Desde o início do governo, temos trabalhado em todas as frentes para sanar problemas históricos e melhorar a vida das pessoas. O Brasil avançou muito nesses 15 meses, mas agora estamos diante do maior desafio da nossa geração.
 
Minha preocupação sempre foi salvar vidas, tanto as que perderemos pela pandemia quanto aquelas que serão atingidas por desemprego, violência e fome. Me coloco no lugar das pessoas e entendo suas angustias. As medidas protetivas devem ser implantas de forma responsável e coordenada.
 
Nesse sentido, o Sr. Tedros Adhanom, diretor geral da OMS, disse saber que: ‘muitas pessoas de fato têm que trabalhar todos os dias para ganhar seu pão diário e que os governos têm que levar essa população em conta’.
 
Continua ainda: ‘se fecharmos ou limitarmos movimentações, o que acontecerá com essas pessoas, que têm que trabalhar todos os dias e que têm que ganhar o pão de cada dia todos os dias’.
 
Ele prossegue: ‘então, cada país baseado em sua situação deveria responder a essa questão. O diretor da OMS afirma ainda que: com relação a cada medida, temos que ver o que significa para o indivíduo nas ruas’.
 
E complementa: ‘eu venho de família pobre, eu sei o que significa estar sempre preocupado com seu pão diário. Isso deve ser levado em conta, porque todo indivíduo importa. A maneira como cada indivíduo é afetado pelas ações deve ser considerado’.
 
Não me valho dessas palavras para negar a importância das medidas de prevenção e controle da pandemia, mas para mostrar que, da mesma forma que precisamos pensar nas mais vulneráveis. Essa tem sido minha preocupação desde o princípio.
 
O que será do camelô, do ambulante, do vendedor de churrasquinho, da diarista, do ajudante de pedreiro, do caminhoneiro e dos outros autônomos com quem venho mantendo contato durante toada minha vida publica?
 
Por isso determinei ao nosso ministro da Saúde que não poupasse esforços, apoiando através do SUS, todos os estados do Brasil, aumentando a capacidade da rede de saúde e preparando-a para o combate à pandemia.
 
Assim, estão sendo adquiridos novos leitos já com respiradores, equipamentos de proteção individual, kits para testes e demais insumos necessários. Determinei ainda ao nosso ministro da Economia que adotasse todas as medidas possíveis para proteger sobretudo o emprego e a renda dos brasileiros.
 
Fizemos isso através de ajuda financeira aos estados e municípios, linhas de credito para empresas, auxílio mensal de R$ 600 aos trabalhadores informais e vulneráveis, entrada de mais de 1 milhão e 200 mil famílias no programa Bolsa Família. Adiamos também o pagamento de dívidas dos estados e municípios, só para citar algumas das medidas anotadas.
 
Além disso, no dia de hoje, em comum acordo com a indústria farmacêutica, decidimos adiar por 60 dias o reajuste de medicamentos no Brasil. Temos uma missão: salvar vidas sem deixar para trás os empregos.
 
Por um lado, temos que ter cautela e precaução com todos, principalmente junto aos mais idosos e portadores de doenças preexistentes. Por outro, temos que combater o desemprego, que cresce rapidamente, em especial entre os mais pobres.
 
Vamos cumprir essa missão, ao mesmo tempo em que cuidamos da saúde das pessoas. O vírus é uma realidade, ainda não existe vacina contra ele ou remédio com eficiência cientificamente comprovada – apesar da hidroxicloroquina parecer bastante eficaz.
 
O coronavírus veio e um dia irá embora. Infelizmente teremos perdas neste caminho. Eu mesmo já perdi entes queridos no passado e sei o quanto é doloroso.
 
Todos nós temos que evitar ao máximo qualquer perda de vida humana. Como disse o diretor-geral da OMS: todo indivíduo importa. Ao mesmo tempo, devemos evitar a destruição de empregos, que já vem trazendo muito sofrimento para os trabalhadores brasileiros.
 
Na última reunião do G-20, nós, os chefes de Estado e de Governo, nos comprometemos a proteger vidas e preservar empregos. Assim o farei. Desde fevereiro determinei o emprego das Forças Armadas no combate ao coronavírus. O ministério da Defesa realizou o resgate de brasileiros na China. Agora, as Forças Armadas atuam em apoio às áreas de saúde e segurança em todo o Brasil.
 
Foi ativado um centro de operações que coordena as ações e 10 comandos conjuntos foram criados, cobrindo todo o território nacional. Realizam ações que vão desde a montagem de postos de triagem de pacientes, apoio a campanhas informativas e campanhas de vacinação, logística e transporte de medicamentos.
 
Os laboratórios químico-farmacêutico militares entraram com força total e, em 12 dias, serão produzidos, 1 milhão de comprimidos de cloroquina, além de álcool em gel. Repito: o efeito colateral das medidas de combate ao coronavírus não pode ser pior que a própria doença. A minha obrigação como presidente vai para além dos próximos meses. Preparar o Brasil para sua retomada, reorganizar nossa economia e mobilizar todos nossos recursos e energia para tornar o Brasil ainda mais forte após a pandemia.
 
Aproveito a oportunidade para me solidarizar e agradecer o empenho e sacrifício pessoal de todos os profissionais de saúde, da área de segurança, caminhoneiros e todos os trabalhadores de serviços considerados essenciais, que estão mantendo o país funcionando. Bem como aos homens e mulheres do campo, que produzem nossos alimentos. Com esse mesmo espírito, agradeço e reafirmo a importância da colaboração e a necessária união de todo, num grande pacto pela preservação da vida e dos empregos. Parlamento, Judiciário, governadores, prefeitos e sociedade.
 
Deus abençoe o nosso amado Brasil
 
Veja vídeo abaixo:
 
 
 
 
 
Conteúdo: O Estado de S. Paulo

 

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